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quinta-feira, 16 de maio de 2013

O que restou, por Daniela Sodré


Ver o seu mundo desmoronar e correr pra casa dos seus pais em busca de conforto e companhia quando tudo parece não dar pé; bebericar do vazio diariamente; chorar até ser vencida pelo sono; acordar sem perspectivas; perder o prazer até em fazer as coisas que mais gostava.
A gente não espera o pior, até ele bater à nossa porta. Quando se perde tudo, o que nos resta? Nos resta tomar decisões com o coração partido: ficar ou partir, lutar ou desistir, ligar ou esquecer, o que e como fazer.  As pessoas partem das nossas vidas e deixam o resto.
O que me restou foi lembrar das conversas loucas no sofá; dos nomes dos filhos que nunca tivemos; da discussão pelos cachorros que não teremos; da conchinha que quinzenalmente tentávamos fazer sem sucesso;  das risadas sem fim pelos motivo mais bestas; daquele carinho bêbado do fim de noite e das poucas demonstrações de afeto dos últimos tempos.
Me restou também a sensação de ter encontrado o cara com quem eu queria dividir a minha vida, mas que na verdade nunca dividiu a dele comigo; me restou lembrar das últimas conversas confusas que me fizeram tão mal; me sobrou a sensação de que meus assuntos já não interessavam mais, que tudo já estava passado e ele queria um futuro novo; me resta pensar que na verdade, tudo foi mentira, que ele nunca quis o que eu sempre quis; ficou a sensação de que  me doei demais para uma relação que vivi sozinha.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

alfa, beta e cama

eu digo A,
vc diz B.

eu quero ficar,
vc quer ir.

digo amor,
vc diz paixao.

eu quero ir junto,
vc insiste em andar só.

eu faço planos,
vc pensa em metas.

eu quero curva,
vc, reta.

eu, companhia.
vc, solidão.

eu, branco.
vc, preto.

ela alfa, ele beta.
nós, cama.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

DaS COISAS, DOS OUTROS - MUDANÇAS

(...)

Não dá para compreender se mudamos os hábitos ou os hábitos não nos pertenciam mesmo e queríamos agradar pensando que eram nossos.

(...)



Depois de Tanto Tempo - Fabrício Carpinejar

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

DAS COISAS, DOS OUTROS - A fórmula mágica



dispenso a parte de lavar carro, viu?

via http://thatjeffreykid.tumblr.com/post/92123444/inside-wash-each-others-cars-o-0

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

normalidade

e pensar que eu só queria...

ter uma relação normal
com ligações normais
mensagens normais
e carinhos a mais

com saídas normais
amigos normais
beijos normais
e atenção a mais

vontades normais
lambidas a mais
repressão de menos
naturalidade a mais

bilhetes normais
e-mail a mais
stress de menos
conexão a mais


nessa equação, o resultado é universo menos você.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

o que o tempo tem ensinado

Lembrei o quanto era bom te ter daquele jeito, tão dentro das minhas paredes, e do quanto é melhor ainda ter-te tão longe de minhas portas, pois assim fico mais perto de mim. Teto, piso, janelas, frestas se enchem de mim mesma, coisa que já havia sido enterrada no jardim. E mesmo tu tendo desprezado o lar que eu abri a ti, as portas vão estar sempre abertas, porque eu sempre fui boa anfitriã.

Tu levaste o desprezo, o descaso, a falta de cuidado, as palavras agressivas, a perda de tempo e me deixaste o amor, a verdade, a doçura, a lealdade. Não me deixaste sequer arrependimento, pois da minha parte estava tudo em seu lugar. Porque só me fizeste crescer com tuas estupidezes, e só me deixaste na boca a vontade de morder mais uma vez a maçã, sem nem saber se escolhi a certa. E começar tudo de novo, talvez até com mais entrega, agora que me deixaste a certeza de que eu é que era a melhor metade. Nem vou sair em busca da outra, ela há de me encontrar por aí.

Não penses que o bonito desse sentimento acabou, que o respeito morreu ou que não te quero mais presente na minha vida. Me trouxes coisas maravilhosas, sensações que ha muito não faziam parte da minha vida. Descobri que és uma pessoa maravilhosa, mas a nossa relação terá que se restringir a amizade mesmo. Eu mereço mais. Mais atenção, mais respeito, mais cuidado, mais carinho... Simplesmente pelo fato de sempre ter doado mais.

Se não for pedir muito, quero que guardes nossas fotos, pra te lembrar o quanto você tinha alguém que se importava e se dedicava verdadeiramente. Espero um dia te dar um abraço desses que sufocam - como aqueles que costumávamos dar quando nos reencontrávamos após (apenas) dois dias sem nos ver - e te agradecer pelos bons momentos e principalmente pelos maus. Mas peço que não te arrependas jamais, porque se não tivéssemos dividido eu não teria somado tanto. E também, se não tivesses me subtraído, não iríamos mesmo ter multiplicado.